3º Comunicado de imprensa

Reacções às declarações do Ministro da Agricultura e do Ministro da Administração Interna

O Movimento Verde Eufémia vem por este meio expressar o seu contentamento, no que diz respeito às reacções provocadas ao nível político pela acção realizada no passado dia 17 Agosto de 2007, em Silves.

No entanto, é importante realçar que o Ministro da Agricultura não se tem demonstrado disponível para iniciar um debate verdadeiro e participativo sobre os transgénicos, assumindo uma posição pro OGM completamente desequilibrada. Isto vai de encontro às declarações feitas pelo Ministro da Administração Interna que pretende criminalizar o grupo de activistas, cujo único objectivo é o de criar um espaço para o debate das várias opiniões da sociedade civil sobre os transgénicos. Colocamos a questão “quais os interesses que estão a ser servidos?”

É incompreensível que no discurso do Ministro da Agricultura não seja feita a mais pequena referência ou levantada qualquer dúvida que tenha em consideração as ameaças da tecnologia dos transgénicos evidenciada por numerosos actores na comunidade científica.

A ciência está pelo menos dividida relativamente a esta matéria (ver referências abaixo apresentadas). Como pode um Ministro da Agricultura, sendo um dos responsáveis pela Saúde Pública que é suposto representar, afirmar flagrantemente “não existe problema, está comprovado cientificamente” (Público 21-08-07)? O Ministro da Agricultura não tem o direito de assumir o seu ponto de vista como sendo a verdade, enquanto ignora por completo a divergência de opiniões que existe na comunidade científica. Ao nível regional e local estes riscos são geralmente melhor compreendidos. A região do Algarve, que por essa razão foi declarada Zona Livre de Transgénicos pela Junta Metropolitana do Algarve, em 2004, representa um bom exemplo da situação acima mencionada. Este compromisso político resultou de associações dentro da sociedade civil, no sentido de defenderem os seus direitos ecológicos e a sua saúde como consumidores. Será o gabinete do Ministro da Agricultura assim tão longe dos cidadãos que aquelas vozes desconcertantes não chegam aos ouvidos de Jaime Silva? Ou será que ele gosta apenas de tocar a solo? De qualquer das formas seria bom perceber quais os interesses que estão a ser servidos pelo ministro. Estará o Ministro da Agricultura a proteger os cidadãos ou a servir os interesses do lobby da indústria da Agro-Biotecnologia?

Outra tentativa de evitar o início de qualquer tipo de debate vem da parte do Ministro da Administração Interna. O Ministro da Administração Interna foca o seu discurso na criminalização da acção em todos os seus aspectos. A esta altura já deveria estar bem claro, através dos comunicados feitos por nós anteriormente, que a destruição da propriedade privada não é um fim por si só. Rui Pereira categoriza a acção como de “eco-terrorismo soft” (SIC Notícias a noite, 21.08.07). Uma vez que os nossos interesses envolvem meramente o fomentar da discussão associada aos riscos relacionados com os transgénicos, o único fundamentalista que poderá ser identificado no debate será o seu colega Jaime Silva. Os nossos interesses revelam-se mais claramente através das afirmações de Costa Lima, porta-voz do comando-geral da GNR: “Não foi necessário recorrer à força, porque assim que os agentes [em desvantagem numérica] ordenaram a paragem da acção de destruição, os activistas obedeceram, sem mostrar resistência” (Diário de Noticias, 21-08-07).

Seria muito simples sermos rotulados de terroristas. Infelizmente, esta acção é o que é necessário para despoletar uma discussão sobre os riscos ambientais, sociais e de saúde trazidos pelos transgénicos.

O desenrolar dos acontecimentos tem vindo a demonstrar que a não revelação das nossas identidades foi uma precaução necessária tendo em conta a contra-reacção do Estado. Consideramos qualquer opinião, desde que bem fundamentada, uma contribuição valiosa e a ser incluída no debate. Esperemos que todos os actores que tenham vindo a criticar os OGMs no passado aproveitem esta oportunidade gerada pela acção do Movimento Verde Eufémia para fazerem as suas vozes serem ouvidas, independentemente de concordarem ou não com o acto do corte de uma pequena parte do primeiro cultivo transgénico na região do Algarve.

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